Adriano é denunciado por Tráfico de Drogas e Associação ao Tráfico

images

O atacante Adriano, que tenta retomar a carreira no futebol francês, pelo Le Havre, foi denunciado pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro nesta terça-feira. A acusação é grave: tráfico de drogas e associação ao tráfico de drogas. O primeiro crime prevê pena de até 15 anos de reclusão, e o segundo, dez. Além disso, também pode responder por falsificação de documento.

A denúncia, revelada pela ESPN e confirmada pelo UOL Esporte, foi oferecida pelo promotor Alexandre Murilo Graça e confirmada à reportagem pelo departamento de comunicação do Ministério Público. Graça é o mesmo promotor que denunciou o goleiro Bruno pelo desaparecimento da modelo Eliza Samudio, além do caso da nadadora Rebeca Gusmão por falsidade ideológica.

 

A promotoria entendeu que a compra de uma moto em 2007 para Mica, chefe do tráfico da Vila Cruzeiro, configura uma ligação do jogador com o grupo que compra e vende drogas na região. O caso será avaliado pela 29ª Vara Criminal do Rio, que vai decidir se acata ou não a denúncia oferecida pelos promotores. A denúncia foi feita pela 1ª Central de Inquéritos do Ministério Público do Rio de Janeiro.

Na denúncia, Alexandre Graça não pede a “segregação imediata” (prisão) de Adriano, mas pede que seu passaporte seja recolhido, pela “possibilidade de fuga do jogador, por ser “pessoa com elevados recursos financeiros”. Com isso, o Imperador, que retorna ao Brasil nos próximos dias, pode não conseguir retornar à França para defender o time do Le Havre.

Para a denúncia, a promotoria se baseou em investigação da polícia que mostrou que Adriano comprou uma moto potente para um traficante da Vila Cruzeiro, comunidade onde o jogador cresceu e continuou indo mesmo depois da fama.

De acordo com a denúncia, Adriano “consentiu que outrem (Paulo Rogério de Souza Paz, o Mica e seus comparsas) utilizassem duas motos Honda modelo CB600 – para o tráfico ilícito de drogas” e circular na favela.

A moto comprada por Adriano, de 600 cilindradas, em 2007, foi colocada em nome da mãe do traficante Mica, que seria amigo de Adriano.

De acordo com o promotor do caso, na época da compra da moto a comunidade da Vila Cruzeiro era dominada pela facção Comando Vermelho, na qual Mica fazia parte. E era ele a “pessoa que autorizava ou não a entrada e saída de pessoas e a realização de eventos na região”.

Para isso, “os traficantes necessitavam de veículos velozes, em especial motocicletas, pela agilidade no tráfego, que fossem legalizados e não levantassem suspeitas quando transitassem fora das comunidades dominadas pela organização criminosa.” Uma outra moto, do mesmo modelo e no nome de Adriano, também teria realizado essa missão.

Pelo raciocínio da promotoria, o ex-atacante do Flamengo e da seleção e seu amigo “livre e conscientemente, ao colaborarem para a atividade do tráfico de entorpecentes, se associaram aos traficantes em atividade na Vila Cruzeiro, com a finalidade de facilitar o tráfico ilícito de drogas e as atividades afins,”

Além de Adriano, a promotoria denunciou Marcos José de Oliveira, amigo do jogador, e o traficante Mica – Paulo Rogério de Souza Paz.

Procurada pela reportagem, a assessora de imprensa de Adriano, Renata Battaglia, informou que o staff do jogador não estava sabendo de nada, bem como o Imperador ainda não havia sido notificado sobre o assunto. Diante disso, informou ainda que ninguém ligado ao atacante iria se pronunciar sobre a denúncia em um primeiro momento. Adriano estaria tranquilo e sem preocupações com o inquérito. Sua assessoria classificou o caso como uma tentativa de tirar a paz do atleta, que busca voltar aos gramados após mais de sete meses parado.