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Britânica descobre clone online com vida fictícia criada a partir de suas fotos

Conheça Leah Palmer, uma bela jovem britânica de pouco mais de 20 anos que vive em Dubai.

Ela tem um perfil bastante ativo em redes sociais. Com frequência, conversa com parentes e amigos por meio de sites como Facebook, Instagram e Twitter, e até mesmo busca namorados pelo aplicativo Tinder.

Mas, na verdade, Leah Palmer não existe.

A mulher na foto acima é Ruth Palmer. Ela descobriu recentemente que, por três anos, alguém vinha roubando fotografias suas, de parentes e de amigos em redes sociais para criar perfis falsos, que se comunicam entre si.

Enquanto Ruth tem 140 seguidores no Instagram, Leah tem mais de 800 em sua conta, onde já publicou mais de 900 fotografias (todas de Ruth e seus amigos).

Impostora

Ruth descobriu que alguém se passava por ela na internet em janeiro deste ano.

“Um dia, uma de minhas amigas da época da faculdade me enviou uma mensagem: ‘Viu esta foto? Sabe quem é?'”, disse ela à BBC.

“Parecia uma foto de quatro anos antes com alguns amigos da faculdade. Mas era na verdade uma captura de tela de uma conta de outra pessoa no Instagram.”

O marido de Ruth Palmer, Benjamin Graves, era descrito pela impostora como um “ex-namorado psicótico”. Ruth e sua amiga encontraram ainda várias outras fotos.

“Não apenas minhas. Também havia foto de meus amigos. Era tudo muito estranho.”

A primeira conta falsa foi fechada rapidamente, mas logo surgiu outra. Por meio dos perfis, ela se relacionou com ao menos seis outros homens.

Ruth conseguiu falar com alguns deles pela internet, sempre com o marido ao lado, e diz que os homens logo se davam conta do que havia acontecido, porque “Leah” tinha um sotaque completamente diferente.

Relacionamento online

Alguns deles mantinham um relacionamento com ela pela internet. Haviam trocado fotos explícitas.

“Um dos homens havia até mesmo terminado um noivado para ficar com a ‘Leah’.”

Outro contou a Ruth que havia encontrado a impostora no Tinder. “Nem sabia o que era Tinder”, diz ela.

Ruth telefonou para os dois números que “Leah” havia dado a estes homens.

“O primeiro chamou, e ela atendeu. Eu disse ‘oi’, e ela desligou”, conta. “Uma semana depois, os dois números estavam desativados.”

Trabalho de detetive

Ruth entrou, então, em contato com as empresas que administram as redes sociais, que disseram ter agido rápido para eliminar os perfis falsos, mas que outros haviam sido criados.

A polícia ofereceu ajuda, mas, como não havia sido cometido nenhum crime e a pessoa não usava o nome completo de Ruth, não havia o que pudesse ser feito.

Ruth diz que sempre manteve perfis com as configurações máximas de privacidade: “Não tenho páginas nem perfis públicos, porque seu que existem pessoas que podem fazer este tipo de coisa”.

O que lhe mais incomoda é a suspeita de que “Leah” pode ser alguém que ela conhece.

“Criaram perfis falsos da minha mãe, de meus amigos… e todas as contas conversam entre si.”

Ruth decidiu divulgar o caso para chamar a atenção contra este tipo de prática.

“O que pode ser feito quando algo de errado acontece nas redes sociais? É preciso ter apoio ou haver uma mudança nas leis”, defende ela.

Roubo de identidade

Para o especialista em segurança Alan Woodward, da Universidade de Surrey, no Reino Unido, este é um caso clássico de roubo de informações pessoais pela internet.

“Temos que ser justos com a polícia. O que eles podem fazer se alguém está apenas usando indevidamente uma imagem na internet? Milhares de imagens são colocadas na rede todos os dias”, afirma Woodward.

“Mas é de algum jeito uma atividade criminosa, uma forma de fraude, porque pessoas estão se relacionando com alguém que sequer existe.”

O especialista diz que é preciso ter cautela com as redes sociais, independentemente das configurações de privacidade escolhidas.

“Pessoalmente, acho que você não deve colocar algo na internet que não gostaria de ver publicado em um jornal local”, ele avalia.

“Os termos de segurança e privacidade podem mudar… e uma imagem só precisar estar disponível publicamente por poucos minutos para alguém copiá-la.”

O advogado Adam Rendle, especializado em direito de imagens, acredita que a solução para casos como o de Ruth está no uso indevido das fotografias.

“O impostor não têm direitos sobre as fotos e vídeos da vítima – mas o autor das imagens, sim”, ele afirma.

“Por isso, a vítima pode usar este argumento para impedir que o impostor continue a usar o material. Os sites costumam tirar do ar conteúdos que infringem direitos.”